30 setembro 2009

4º (Quarto)...


E passa a hora do sono…
E acordo e adormeço…
Ébria, desacordada?!
Esqueço sonhos ou pesadelos?!
Serão movimentações de sombras do meu inconsciente curioso e impaciente?!
Quantos fantasmas me assolaram?
Quantas almas me trespassaram a vida?
Transpiro o terror de uma noite infernal…
Há noites mal dormidas.
Há noites desavindas.
Há noites sem qualquer ponto cardeal…
Apenas com ventos que sopram…
Estou desnorteada…
É a noite que chega,
É o dia que já se apagou.
É a falta do calor do sol…
É o arrefecimento do corpo que já não tem nada mais para desbravar naquele dia e se entusiasma com os arrepios do silêncio.
A temperatura sobe com o calor dos aconchegos...
Mas o vazio continua ali fechado entre quatro paredes.

28 setembro 2009

Quanto vale uma vida?


Um adeus será mesmo para sempre?

É tempo de revisitar o presente, com um jeito de compaixão. Já não perdoo a tua ausência. Apregoo-a… junto da rosa-dos-ventos…
Tantas nuvens… no meu céu. Avizinha-se uma tempestade tão redutora quanto renovadora do espírito. Diz-se que “depois da tempestade vem a bonança”…
Gentilmente aguardo um raio de sol sobre o meu rosto que me induza no calor da vida esquecida que tem partido ininterruptamente.
Pensei que tudo se endireitava num curto espaço de tempo, mas à medida que o tempo passa, as dívidas do contrato com o tempo da saudade fartam-se de crescer, mesmo quando recordo as artimanhas dos nossos sorrisos coniventes…
Os meus olhos cospem lágrimas de desolação…
O que me leva a ti?
Todas as palavras que não consigo vociferar…
Palavras ocas.
Palavras dolorosas.
Palavras sem capacidade para serem proferidas de tantas feridas reterem…
Aí, voltamos ao tempo... que se encarrega de mostrar os caminhos suturadores da vida.
E, num circuito vicioso… fazem-se contas ao tempo imperfeito de um imprevisível adeus…

22 setembro 2009

Contas sem exactidão...



Quantos suores frios…
Quantas fissuras no âmago de um ser desprotegido e frágil…
Quantos ‘nãos’, não quis admitir…?
Quantos ‘adeus’ quis protelar…?

Quantos momentos julguei impossíveis e imprevisivelmente ocorreram e coloriram a minha vida?
Quantas lágrimas de felicidade escorreram de amor…?
Quantos planos replaneei…?

Quantas vezes temi o esforço para alcançar o limite do meu céu?
Quanto tempo passou sem que me apercebesse do amor que me acolhe…?
Quantas vezes olhei um oceano de prata para me afastar do que já se tinha esgotado e era apenas eu que não o havia alcançado…?
Quantas vezes as minhas lágrimas se perderam no seu leito?
Quantas vezes a imensidão do céu pareceu cair sobre mim?

Quantas vezes as minhas criações se decompuseram…?
Quantas vezes a minha voz se cala e foge das palavras e dos sons?
Quantas vezes as minhas mãos tocaram o céu e o chão?
Quantas vezes o desequilíbrio me manteve de pé?

Quantas vezes multiplicarei sorrisos?
Quantas vezes aguentarei a fúria de um olhar penetrante?
Quantas vezes terei de repensar o que fazer comigo?
Quanto tempo terei para:
Somar…
Multiplicar…
Dividir…
Subtrair…
E… (r)escrever histórias…?

21 setembro 2009

Mais um... Até Sempre...


Não te vejo em cores
Não te conto em versos…
Não te sei perto…
Faz-me falta sentir que estás vivo.

Vejo somente uma escuridão imensa…
Uma névoa de recordações prazeirosas…
Um dia sem cor…
Um nevoeiro constante que me impede de te tocar, por não te ver.

Sei que te tenho no peito
Guardado em tom de alegria…
Sempre me fizeste feliz…
Essa era a tua magia…

A cada instante a ternura…
Nos abraços…
Nos sorrisos…
As tão delicadas cumplicidades…

Ensinaste-me a ser feliz…
Deixaste um pedaço do teu coração no meu…
E por isso sou mais feliz…

Dá-me a tua mão e guia-me…
Sê uma inspiração como sempre foste…
Sorri. E afaga-me os cabelos nos teus braços…
Leva-me pela mão…
E faz com que o caminho que eu percorra seja o sonho que sonhaste para mim.

Posso fazer-te um pedido?

Embeleza este momento caiado de sombras ocultas…
Traz-te p’ra mim… Agora.
Para Sempre…

Sinto a TUA falta…

... sempre que te procuro... as lágrimas são mais autónomas que eu!!!

15 setembro 2009

Solta-se a tampa...??


Este coração obriga-se a estar vazio.
Despojado de alma… De corpo que já não sente…
Um pavio que já não se quer queimar… porque a essência já se perdeu…
É uma cera neutral… sem odor… que se limita a aquecer e a dissipar-se…
Será que algum dia despertará para a vida que o espera?
Ou dormitará etereamente…?
Seguirá exclusivamente o caminho do mundo dos sonhos, beijando lábios… e abraçando almas…? Conseguirá dissociar-se dos ‘outros’?
Inevitavelmente atesta-se um veredicto recorrente e cúmplice…
Quantas vezes se foge… para não se comprometer o espírito…?
Tudo o que é fácil não demonstra grandes desafios, mas vale-se pela segurança que afiança.
Estes pressupostos são tão desajustados, quanto erróneos…
A perfeita dúvida existencial da escolha que nem sempre é a mais correcta…
A sabedoria empírica é sempre tão desajustada.
Sempre tão pragmática.
E não menos imprevisível.
Vamos fazer caretas ao amor?
E ser marionetas do coração que não se predispõe a obedecer-nos?
Pode ser???

A tampa que salte…
Os macacos do sótão que entrem em época estival…
E que toda essa euforia resulte em felicidade…
Até porque sorrir a tempo inteiro, vai mostrar como um letreiro:
Reflexos de amor sem idade…

13 agosto 2009

Give me hope...


Alguém escreveu que as cartas de amor são ridículas, mas mais patético é descrever sentimentos de amor para alguém que não existe (ou será tudo isto uma confusão de vontades, de pensamentos e de pessoas?!), mas que podia fazer parte da nossa vida. Ser o nosso mais valioso presente. Será que não era assim que devia ser?
As pessoas perdem muito tempo a tentar ser felizes quando o podem ser tão livremente… tão prontamente…
Quantas palavras de amor já te escrevi? Quantas 'cartas'?
Deixo-te mais uma…

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Há sempre algo que me leva a ti.
Sempre com uma energia invulgar…
Sem que passe muito tempo.
Acho que te conheço o suficiente para te deixar habitar os meus sonhos.
E mesmo que não deixe, lá acabas por aparecer…
Preenches-me tanto na tua ausência e tão pouco com a tua presença.
Quantas ambiguidades terei de testar, para sentir o calor do teu abraço outra vez…?!
E quantas mais vezes irão soar as notas daquele piano melancólico e excessivamente dramático… Não te quantifico, porque prefiro a imprevisibilidade de notas fiéis ao batimento dum coração pseudo desajustado…
Quanto mais te vivo, mais te tenho em mim.
E constato que talvez seja mais frágil do que pensaria.
No teu olhar encontro-me…
Tão… inexplicavelmente segura.
As tuas palavras salvam-me as fraquezas do ser…
Levemente inspiro e expiro momentos de felicidade quando estou contigo.
Não preciso ser nada mais nem nada menos do que verdadeiramente sou…
Quanto tomamos vida em sonhos, tudo é possível e tudo parece estupidamente real.
As pausas dos nossos resfôlegos…
Os silêncios das nossas vozes…
Os passos descompassados…
Os risos descompensados…
Tantos momentos de amor avassaladoramente acelerados…
Talvez sejas tão ou mais frágil que eu…
E confesso que não suporto ver-te cair como uma folha em pleno Outono incapaz de viver…
Sei que isto é muito mais que um mero vínculo adiposo…
É não conseguir reagir ao veneno que me entranha os sentidos.
E mos faz perder lentamente…
Era assim que sonhava o amor.
E… podia vivê-lo contigo.

10 agosto 2009

Is just my imagination...


Há coisas que só vemos na imaginação. Essa doce e sublime viagem que fazemos ao que há de mais distante de nós, sem que um qualquer livro tenha alguma vez escrito esse capítulo, sem que um filme alguma vez tenha recriado essa cena…
São imagens muito fiéis, são vontades íntimas, que não sei se algum dia acontecerão, num cenário mais ou menos aproximado da realidade dos meus delírios (se é que existe uma definição concreta que descreva pensamentos dissonantes).
Às vezes sinto tão veemente os meus pensamentos que temo pensar se são eles que vivem de mim, se vivem em mim ou se sou eu que vivo deles… E quando não tenho respostas reporto-me aos meus silêncios ou simplesmente resguardo-me nestas imagens de realidade que me atraem e despertam para a vida que existe em mim e nem sempre é manifestada.
O que é que vivi? O que faltará viver? O que é que simplesmente nunca será realidade?
Existirá uma fórmula matemática capaz de equacionar o que o tempo que me resta me vai proporcionar? Poderei potenciar momentos de alegria divididos com o meu mundo?
As cores das interrogações, por tudo o que elas poderão representar, fascinam-me. E… bem que costumo ter respostas, incisivas e rápidas.
No meu ideário de fantasia coabitam vários personagens, locais… Ao meu redor poderia constituir várias peças de teatro, vários filmes, vários livros… Poderia segmentar as minhas estórias e adorná-las em forma de arte por aí…
Quem sabe um dia…
Já vi tantos sonhos materializados… (Sim. Aqueles sonhos que temos durante a noite… em que avisto respostas para incompreensões inconscientes que me vagueiam o sono ou, por outro lado, me confundem mais. Chamar-se-á dormir comigo?)
Várias situações já tomaram forma na vida real e com os olhos bem abertos… é por aí que às vezes explico os meus ‘dejá vus’… (Será pelo menos a explicação mais razoável que encontro.)
De olhos bem abertos, acerco-me de momentos sonhados (tanto de carácter de sonho como de pesadelo… afinal, um pesadelo não deixa de ser um sonho…)
Reajo a estímulos dedutíveis… Questiono-me inúmeras vezes onde começa e onde acaba a realidade… e se o meu ‘quinto andar’ se encontra devidamente arrumado.
A imaginação flui…É fértil em investidas de diagramas de emoções que sinto sem sentir, já sentindo… Quantas vezes sorrio…? Já perdi a conta.
Para quem a solidão e a saudade estão tão presentes, serão estas as melhores alturas de viver ou quiçá as possíveis…
Pensar que as minhas “desordens” são comuns a tantas almas que pairam por aí…
Condenar-me por elas, quando são elas que me instigam o ser…
Acho-me em excessos e em extremos de mim…
Calculo que não sou nem mais nem menos que isto.
Subtraio apenas as equações do futuro, porque não conseguirei sobreviver à linha do infinito…

21 julho 2009

Descansa estrelinha...


Caem-me lágrimas comovidas… ao pensar-te… ao julgar-te… ao lembrar-te…
Não voltaremos a estar contigo. Mas marcaste cada um de nós pela excentricidade, fúria de palco, pela tua arte… Eras um verdadeiro entertainer…
Ainda mal consigo acreditar no que aconteceu.
Quando ouvi a notícia, não sei se não quis acreditar ou se estaria a delirar…
Um deus da música não morre, é um artista que deixa um legado fabuloso de memórias com ritmo, espectacularidade e sobretudo muita VIDA.
Lembro-me de há relativamente pouco tempo perguntar o que tinha sido
feito de ti?!
E obriguei-me a procurar-te… e sempre te (re)encontro.
De tantas versões que já ouvi da SMILE, apenas a tua me encanta… pela
tua magia na interpretação… (Era a tua música favorita. Seria isso?!)
A tua voz angelical…. Tão peculiar…
A Brooke disse tudo… na sua terna descrição de ti… (por esta altura)...
Imaginar-te-ei sentado num quarto crescente, com uma cana de pesca, com a ingenuidade no sorriso de um menino a pescar estrelas...
Sempre foste um menino, nunca cresceste, viveste como um anjo no teu mundo dos pequeninos, “Terra do Nunca”…
A tua projecção foi enorme… toda a gente te conhece… e tu algum dia te conheceste? Tiveste a real noção do que és… do que representas?
Ou simplesmente limitaste-te a viver-te… como o comum dos mortais?
Foste tudo… foste nada… para quem realmente ‘foste’, és e sempre serás…
Povoaste o meu corpo em vários passos de dança… Sim. Porque eras tu que entravas dentro de mim e soltavas os meus passos… cada movimento e trejeito do meu corpo… absorvia a mestria do teu talento…
Deixaste-nos. Mas não em tom de abandono…
Deixaste uma dívida que não escapa indiferente a ninguém…
A SAUDADE.
Nós é que ficamos mais pobres…
No ‘SEGREDO DOS DEUSES’… fica a pergunta… o que viria por aí…?!

06 julho 2009

Memórias de Mel...


Mel…
O doce néctar que subtraio das recordações presentes desses dias de sol intenso, sem nuvens, com um mar imenso e sorrisos… gargalhadas… e mais sorrisos…
A cada pôr-do-sol vislumbrei a gravidade dum calor incomensurável…
Não de tempo, mas do espaço que não existe quando a alma se completa…
Que mentira doce…
Que desejo inconsistente de voltar ali…
Na minha imaginação recrio persistentemente todas as memórias…
Voltarei ali todos os dias em que a lembrança me invada e o sorriso me acompanhe…
A felicidade chega a ter o dom da imprevisibilidade.
Não sei se deva sonhar um pouco mais… para variar desta realidade que conscientemente não escolhi.
Que doce mel encontrar momentos de vida perdidos por aí.
E o que fica do passado é o que volta a ser presente.
E a gente sente… sente… sente…
Como se da primeira vez se tratasse.
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Nos álbuns restam fotos, de tempos jamais esquecidos.
Imagens de rostos quentes, que aqueceram os dias mais incoerentes…
Era um grupo de crianças, que entretanto foi crescendo.
Perdi o rasto de algumas, muitas viveram somente para si…
Cada uma terá uma história para contar…
E essa será a sua história.
Houve um tempo em que a história era nossa…
Em que várias histórias se cruzavam numa comum…
Na altura só havia uma palavra capaz de definir a nossa ligação: Perfeição.
(ao que parece ela existe…)
Voltar a encontrar caras queridas, algumas esquecidas é reaproximar as nossas vidas…
Prontamente, vos espero, porque foi o acaso que nos reuniu a vontade.
Quero escutar as vossas vidas…
Saber todos os pormenores que marcaram os tempos das ausências cerradas de cumprimentos…
Vislumbrar o que o tempo nos fez…
Estaremos perto?
Estivemos perto?
Quantas viagens ficaram para trás?
O que é que essa vida fez de nós?
Quantos de nós estiveram sós?
Retomemos o que nos juntou…
A ingénua amizade da juventude.
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Tanto que não sei desta gente.
Tanto que se perdeu…
Quero regressar ao íntimo possível dum tempo que não tem que acabar…
E quiçá consolidar cada segundo que passe… porque são esses mesmos segundos que são construídos sob forma de encantamento… para a alma… enriquecendo cada um de nós…
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Reúna-se tudo o quanto é possível para que recuperemos um pouco da mística que nos encerra…

22 junho 2009

Horas vazias de alguém...


Algema de Ponteiros

O tempo não tinha esquinas, degraus de tropeçar, fechaduras de segredo.
O tempo não magoava, o tempo não traía, o tempo nunca feria o medo de não o ter.
Não era preciso fazer durar o tempo; o tempo já era a duração de si próprio.

Naquele tempo, a voz não tinha pressa, cada passo falava com a terra, cada dia era um dia, e não o antes da noite.

Encosto-me num recanto da cidade, observo, em pasmo, o correr cinzento das gentes, e dou por mim, virado criança, a andar lentamente pela berma do passeio.

Que é feito do tempo de ter tempo?
Que é feito do beijo das horas?
Onde está o mel da demora que barrava o pão de cada dia?
“O homem é dono do tempo”, disse alguém.
Mas quantos são os donos do tempo?

Tive poucos relógios em toda a minha vida.
Não gosto de sentir no pulso uma algema de ponteiros.

Autor: Emanuel Jorge Botelho

31 maio 2009

Crepúsculo...


Tenho sempre a mais ténue lágrima para ti…
Brotando num lusco-fusco que a mim confias…

Tens habitado em mim solenemente…
E entre rasgos de recordações…
Gotejam esperanças lânguidas…
De memórias destruídas…
Que me impedem de abandonar-te…

Já não distingo as realidades proporcionadas pelo meu alter-ego.
Estará ele tão distante de mim?
Planeará ressuscitar-me para o que existe?
Será mero acaso do esquecimento?
Ou serão tons agudos de dor silenciosa?

Apetecia-me deter as dúvidas,
no teu rosto e nas tuas palavras…
Queria que o manifesto fosse proferido através da mais profunda expressividade que jamais poderei ler…
Se a fatalidade me contestasse,
Voltaria a amanhecer…

Queria a ausência de sentir…
Queria ser como o vento…
Queria tentar omitir…
Este sábio lamento…

Não incomodo mais a tua alma
…que descansa por aí…
Não te grito mais…
…experimenta ouvir os meus ecos.

Sentencia tudo o que sentes…
Sentencia a tua vontade…
E admira a tua verdade….

24 maio 2009

É assim... fora de tempo...




Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido
Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido.

(…)

Ivan Lins e Victor Martins, Começar de Novo

02 maio 2009

Na noite...


Esvoaça estoicamente a melancolia…
Acresce a vontade de te embalsamar num sonho…
Sem estratagemas redutores.

Acabou-se o vício de te sofrer.

Parto em busca dos laços…
Alcanço os teus braços…
Reclamo a saudade já tão cega de tão muda…

Criaram-se espaços…
Esmagadoramente vazios…
Em magia austera…
Em encantamento sombrio…

Preciso dissolver o pensamento
Aquecer o momento
Quebrar com a insatisfação…

Serei o que fizer de mim…
Serei alma na escuridão…

Dedilho palavras que pressinto,
Uso pertinentes labirintos…
Nunca me confesso.
Prefiro evadir-me nos meus inesgotáveis silêncios…

25 abril 2009

«E depois de nós?»



Paulo de Carvalho - E depois do Adeus
Música: José Calvário Letra: José Niza
(vencedora do festival da canção de 1974)

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei…

E depois do amor
E depois de nós
O adeus

O ficarmos sós

Nota: Esta canção serviu de senha de início da revolução de 25 de Abril de 1974 e serve de inspiração!

05 abril 2009

Resfolego...


Vazaram-se-me as palavras recônditas.
Trocaram-se-me as voltas do mundo que me assiste…
Deixei de usar o tempo.
Para que me use a mim.

O sossego interno necessário, inquieta qualquer ser que o busca.
A calma da tranquilidade é imprecisa.
O espírito treme no temor do passado.
Que não passou dum tumor esquecido.
Já não há sangue que verta o infame.
Um dia tinha que expirar a última gota.

Sem reservas…
Sei que não sou mais algema do tempo.
Deixo-o passar por mim,
Deixo-o ficar em mim,
Deixo-o viver em livre arbítrio.
Limito-me a prever os seus passos…
E, que enorme prazer isso me concede…
Sou a sua maior testemunha diante cada resfolego…

Atenta,
Tento alhear-me da má sorte.
Ausentar-me do desaire…
Tratam-se de meras ilusões temporárias.
Nada disto é real.

E… como eu preciso de verdades!!!
Tanto quanto preciso de invariáveis certezas…

16 março 2009

Sentido Figurado...


Amo-te.
Deliberadamente.
Amo-te.
E porque a palavra só se gasta quando deixa de existir, amo-te…
E é com todos os meus sentidos que te prevejo…
Te Pressinto…
Te amo.
Qual sentimento é mais forte que o amor?
Qual sentimento é mais imprevisível, mais passível de gerar um conflito antagónico de emoções?
Acho que te vivo em eufemismo…
Te encontro numa antítese…
E todo o meu amor não passa duma hipérbole…
As hipérboles de amor são cada vez mais necessárias.
Ser hipérbole no amor é ser calor de vulcão e tocar gentilmente com os lábios no gelo íntimo de um iceberg…
Habito uma gruta em constante erosão…
Escorrem gotas de água que se auto-reproduzem…
Que se renovam e que ganham vida própria…
Como é que a transparência de uma lágrima pode ser discutível?
Quanta verdade oculta inclusa…
Resta saber se se eternizam, ausentes de vontade.
Ou quiçá… Se se revestem de pedra maciça…
Intocável…
Inquebrável…
E sem vida…
Em quantas grutas existiremos sós?
Por que razão… existem leves paraísos escondidos nelas?
Apenas o toque do amor é auto-suficiente.
Como é que a solidão é tão plural?
Porque é que o silêncio é tão violento?
Acho que posso chamar violência à solidão… ao silêncio...
“Tudo o que se vê é temporário…
Mas o invisível é eterno…”
E esta será a melhor tradução da palavra: SAUDADE.

Será que somos a personificação do Amor…
ou melhor... “o Amor em figura de gente”…?

12 março 2009

Palavras da Mafalda =)


«IMORTAIS» Mafalda Veiga

Por mais que a vida nos agarre assim

Nos troque planos sem sequer pedir

Sem perguntar a que é que tem direito

Sem lhe importar o que nos faz sentir


Eu sei que ainda somos imortais

Se nos olhamos tão fundo de frente

Se o meu caminho for para onde vais

A encher de luz os meus lugares ausentes


É que eu quero-te tanto

Não saberia não te ter

É que eu quero-te tanto

É sempre mais do que eu te sei dizer

Mil vezes mais do que eu te sei dizer


Por mais que a vida nos agarre assim

Nos dê em troca do que nos roubou

Às vezes fogo e mar, loucura e chão

Às vezes só a cinza do que sobrou


Eu sei que ainda somos muito mais

Se nos olhamos tão fundo de frente

Se a minha vida for por onde vais

A encher de luz os meus lugares ausentes


É que eu quero-te tanto

Não saberia não te ter

É que eu quero-te tanto

É sempre mais do que eu sei te dizer

Mil vezes mais do que eu te sei dizer


(Mil vezes mais... do que estas palavras te possam dizer...)

03 março 2009

White Flag...


Vou vestir-me de morte.
E morrer junto das memórias trémulas de tantos dias cinzentos.
Acho que passei os dias mais frios e gélidos da minha vida.
Eu e o tempo… caminhamos juntos…
Estivemos juntos demais…
Até hoje, não sei quem desaparece primeiro, se ele… se eu…?!
Ele passa por mim todos os dias… às vezes nem como garantido o tenho.
O caminho, percorro…
No luto, morro…
São finais de mim.

Acabou o Entrudo…
Restam as cinzas da folia…
Mas só agora descobri a minha fantasia…

Vou disfarçar-me de morte…
Quero que me olhem e sintam as profundezas gélidas de um corpo sem vida…
Quero que morram comigo num olhar que já nada avista.
Quero que se esqueçam do meu sorriso, pois ele deixou de existir.
Dizem que “a vida é o intervalo da morte”…
Ou “que a vida são as férias da morte”…
Mas na realidade…
Quantas partes de nós morrem em nós, antes de morrermos?

Vou mascarar-me de vez de morte.
Na sombria e derradeira estadia.

Existimos desassossegados, introspectivos…
(às vezes nem isso…)
Amalgamados… pouco interventivos…
Intrinsecamente defensivos.
A autocensura da liberdade é arguta.
A pura petulância de creditá-la, tantas vezes tolerante…
Já não imagino vida fora das amarras…
Adversas, mas tão consonantes e constantes.
Criaram-se raízes fundas,
Tão profundamente superficiais…

Qual conflito de emoções?
Qual tornado de ilusões?
Quantas mais decepções?
Vivemos num mundo de meras intenções…

Quero estar junto de mim em silêncio,
Para libertar-me dos danos instalados…
Das deficiências que só uma vida vivida pode ter.
Quero esquecer-me do retiro do medo…
Quero a debandada satisfeita…
… o refúgio expedito…
… a utopia…
… o mito.

Além do real, quero o sabor preciso da surrealidade conivente dos sonhos….
E num último sopro majestoso…
Caiar-me de expressões introspectivas como nas derradeiras cenas de um personagem na tela do cinema…
Se em verdade somos actores sociais,
que caia o pano…
que o público se manifeste…
O pesaroso silêncio,
A passiva revolta interna,
Sem rostos…
… gerará consenso.

12 fevereiro 2009

Personificação


A minha vida tem sido assim:
um corropio e uma tentativa.
O melhor de mim?
Sê-lo, enquanto pessoa....
Vivo no limite, quando choro, quando rio, quando respiro.
Conheço a validade da minha capacidade… Por isso avanço sem medo.
Inseguranças???... Que risco apetecível!!!
Tento realizar-me… Quem dera que essa vontade dependesse inteiramente de mim...
Sigo o meu caminho da felicidade.
Vou tendo momentos felizes... que será o mesmo que dizer vou sendo feliz todos os dias.
Na incerteza,
Na luta,
No melhor e no pior.
A inconformidade preenche-me o ser.
Tenho que fazer algo por mim, nisso sempre fui sozinha!
Não posso consentir que a vida me passe, me ultrapasse.
A insatisfação confere-me mais do que a existência: a vida.
Sinto demais.
Sinto muito.
Lamento ou talvez não...
É um sentir contínuo.
A suspeição de afecto nunca será vã…
Pessoas, lugares paralisam-me o enfoque dos sentidos.
Se tiver que partir, ficarei inerte em lágrimas ocultas…
Quantos pensamentos de saudade em cruzamento à sensibilidade individual se aproximam…?!
De todas as drogas…
Prefiro consumir vida…
Que seja um prazer mútuo.
Uma dádiva.
Ao meu mundo dedico o que escrevo…
A cada vocábulo que a minha mente grita…
… que a minha imaginação recria
… sempre que o meu coração se agita…
Manchem os meus dias de revoluções…
Porque querer por querer…
Decido viver…
Num transbordo infinito de emoções…