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08 junho 2012

Pacífico oceano despido




























Trazes no olhar uma noite de mar de tormentas, talvez o oceano que sendo o maior, se chama pacífico e, que em profundidade, te atravessa até à mais íntima e peculiar partícula de vida que deixas resistir. Um desassossego que te envolve o espírito em asas díspares de anjos negros, miscigenados de serenidade. Nestas noites, a ansiedade que te perturba encolhe-te a alma que se asfixia na cor que os dias trazem sempre que o sol arde na tua pele imaculada e nua.

Mas os teus olhos apenas têm o lacrimejar do atlântico, um défice que atinge menos de metade de um pacífico. Nunca os olhos choram as mesmas lágrimas, nem em igual proporção. A exactidão da matemática confirma isso. Se bem que já não são tão passíveis de controlo as variáveis que se podem manipular. E entre a indefinição em potência e os números absolutos, escorrem rios para mares nunca antes navegados, mas onde se impõe a descoberta.

Os acordes da melancolia de temas que versam estórias, retrucam melodias que acolhem passados, autênticos museus da memória que introduzimos voluntariamente e revisitamos vezes sem conta, quando o medo – em segredo – é mais subtil e não menos preterido de ser assumido.

Entoam laivos de murmúrios entre espécies complementares. Não são mais do que refúgios trasvestidos, asilos elementares. As palavras adormecem em gemidos que anoitecem na vaga luz que se apaga. As ondas repousam penetrando a insónia pré-estabelecida. Na noite, enleiam-se os sonhos que despertam a vida por viver.

O futuro existe. Falta apenas reconhecer…

Se a vida que este mundo tem, acolhe a quimera e a faz crescer.

30 maio 2012

Terrenos (in)fertéis?!

É perigoso viver de ilusões. É um terreno (in)fértil. Temeroso. Se se pisa sem cuidado, qual mina disparada em potência destrutiva…

Sempre gostei de corações verdadeiros. Daqueles que num piscar de olhos nos arrebatam a alma e nos prendem para sempre. E em jeito de contraditório sei que quando os meus braços não alcançam as pessoas que estão dentro do meu coração, as abraço, as acarinho, afagando-lhes os fios de cabelo no pensamento. E quantas recordações acordam e me aquecem a vontade de as reviver como se da primeira vez se tratasse?

Nos teus olhos vejo a (in)quietude da enfermidade. A Madre Teresa dizia que a maior enfermidade que podia existir era não ser ninguém, para ninguém… Será isso alguma vez possível? Existirá solidão tamanha capaz de uma tão vil rejeição? Que crueza!

Mas tu existes. Enfermo. Mas existes. Desligas-te das vozes que já nada te dizem, mas elas ainda ecoam vulgarmente, dispersas, aturdidas. Encontram-te exasperado e sem sujeito e sem predicado. Chamam-lhes ataques de ‘falsa bandeira’. Têm tanto de acessíveis quanto de demagogos.

A guerra prepara as armas. Mas és tu que estás na mira. O campo de batalha é um fardo que carregas. Peso que a inoperância adversária provocou. O conflito instala-se.

Silêncio. Queres ouvir o respirar do inimigo que te persegue o espírito. Aos sentidos apenas te socorre o suave perfume do jasmim em plena ocidental praia lusitana, em versão camoniana.

Rosa-dos-ventos. Nome de fêmea. Só podia soprar-te ao ouvido a beleza e a essência de jasmim, em ritual de encantamento. Impune, desligas todos os sentidos e rendes-te ao que te traz Kama, o deus do amor (indiano): setas atiradas com flores de jasmim.

Quanta candura estoica.
Quanta brandura irreversível.
Quanta paixão elencada na sublimação elementar da vida [o sonho].
Quantas esperanças ilusórias.
Suadas e contrafeitas…
São as feridas cicatrizadas que constroem vitórias.