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11 junho 2008

Instrumento


Vejo-te chegar em tudo o que passa.
Persigo-te com a vontade de te ter…
Sou psicopata de ti.
Sodomizo-me de pressentir-te perto demais.
Qual entrega será mais verdadeira e automaticamente real, para não ser vivida?
Será despeito o que se avulta e se acumula em mim?

Sou harpa dos teus dedos que me tocam em vários sons e tons melódicos.
Fios nevrálgicos que me descontrolam, descompassam e te intensificam…
Passo a ser covil… de notas musicais não delineadas, autónomas…
Habilmente caio nos teus dedilhados…
A brisa que respiras é o meu apanágio acústico…
Deixo-me escorregar em ti…
Deixo-me levar por ti…
És a minha pauta, meu músico e meu maestro…
Numa arrojada overdose de música, vislumbro-te nesse calor que pesa sobre os corpos, sobre mim…
Está quente, estupidamente quente, chego a sentir-me nas mãos do inferno.
Miseravelmente, desmaio em ti.
Julgo que estarei no auge da loucura.
Da minha loucura de (te) sentir.

15 março 2008

(Re)petição...


Fui aproveitar o sol e o calor que trouxe comigo.
Caminhei com a saudade, respirei a tristeza, alberguei em mim a piedade em tom de compaixão enlouquecida a vaporizar as minhas vísceras...
Não sei onde anda a força que costumava habitar-me.
O sofrimento tem-me batido à porta.
Deixo-o entrar, mas recuso-me que ele se instale confortavelmente.

Cada passo parecia um reencontro com as minhas origens.
Conhecia de cor a brisa que me batia no rosto. Era um perfume que sempre vivera junto a mim pela frequência que me levava até ele.
Do lado de lá do muro, a areia escondia-se no rastejo das réstias de ondas do mar…
Ele perdia-se na areia, submisso…
Tal como a avestruz, o mar enterrava-se na areia de cabeça e sem vacilar…
E eu? Se me escondesse como a avestruz, se me enterrasse evaporando como acontece ao mar, teria resolvido as tormentas?
A simplicidade de um ‘sim’ ou dum ‘não’ em discurso directo corrói-me os pensamentos que não quero ter, mas que sinto não poder resolver no imediato.
Que o tempo resolva por mim…
Se a chuva vier, que percorra todo o meu corpo.
Um raio de sol ou uma forte rajada de vento puros… encarregar-se-ão de me devolver à normalidade… mesmo que tenha atravessado uma revolução.
O meu corpo vai libertar os suores de enfermidade e nele submergirá a conquista.
Voltarei ao plano de Fénix.
A renovação e a revolução são uma constante em mim.

Cheguei junto do carro.
Pus o cinto. Parti.
Sentia-me atordoada, mas revigorada.
Por mais que quisesse definir o que acabara de acontecer, não conseguia.
Estava longe de pensar que os finais são como o tempo: imprevisíveis, mas necessários.