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25 março 2015

Gotas de resjuvenescimento...

















As lágrimas adormecem-me num embalo para os sonhos,
Acordada já não sou gente.
As vidas que vivi,
Desconstroem os passos que dei.
Lentos,
Lassos,
Acelerados…
Vidas cruzadas com outras tantas, desajeitadas e trôpegas.
Vidas minhas percorridas, sentidas dum só jeito…
Simples e apaixonado... 


12 fevereiro 2014

Saudade






















Como esquecer a saudade,
que se entrelaça com o esvaziar da luz do luar?
Essa mesma que amanhece em mim todos os dias,
querendo apenas me tomar…

A distância nunca foi tão próxima…
A dor nunca se fez tão célere…

Escurece a tua sombra em mim…
Anoitece a fúria da revolta…
Essa dor que permanece…
…que vai, mas que volta…

Os meus sonhos só me (des)compensam (d)as noites frias,
em que adormeço para na tua ausência te encontrar…

É nessa anestesia de amor,
que te cubro e descubro…
É nessa afasia de cor,
que te idealizar é tão somente amor… amor…

O teu perfume, o teu retrato…
Estão no quarto de lua que me resiste,
Tecida a saudade…

Olha a lua desse lado,
Que em pranto recado persiste…
Sem termo, sem idade…


27 dezembro 2012

Presente Feliz!

















O Zezinho cresceu com o encantamento da presença do Pai Natal e, chegada a proximidade da época festiva, e vendo-se os seus pais na iminência de não conseguir corresponder com os tradicionais desejos embrulhados pela idade, serenamente chamaram-no e tentaram explicar-lhe quem verdadeiramente era o ‘Pai Natal’ que, ano após ano, acertava nos presentes que tanto desejava receber.

Para aqueles e outros pais, o dinheiro era pouco na carteira e os desejos dos miúdos são cada vez mais grotescos. O valor que dão a um qualquer objecto é instantâneo e o que é certo, é que mais dia, menos dia resultará obsoleto e/ou disfuncional.

Já lá vai o tempo em que se podia comprar uma oferta a custo controlado ou até mesmo por uma ‘bagatela’… Lembro-me do pai que dizia que recebia de presente de natal, uma laranja na meia que deixava junto à lareira da cozinha. Hoje, é o avô que não percebe nada de nanotecnologia, apenas de valores reais como a importância dos sentimentos, dos pequenos gestos, dos verdadeiros presentes. Mesmo assim, os petizes lá tentam com toneladas de paciência mostrar-lhes a operacionalidade desses objectos, que acabaram por vir a participar determinantemente no dia-a-dia e se assumem cada vez mais capazes de promover a individualidade e, por sua vez, a solidão.

Diz-se que os avós são pais duas vezes. Talvez estejam em vantagem na hora de transmitir a sabedoria que vão sustentando ao longo da vida e que é muito pouco escutada pelas novas gerações. Todas as vidas se completam num passado que vira sempre um presente. Quantos presentes seremos capazes de oferecer a alguém, apenas com um sorriso? E quantos presentes conseguiremos nós oferecer-nos, justamente por sorrirmos? Que a vida seja sempre um surpreendente presente por desembrulhar…

O Zezinho do alto dos seus nove anos manteve-se calado, entristecido. Era o quebrar do mito mais bonito que acalentara durante anos. Os três abraçaram-se. Após o longo abraço souberam que o amor que nutriam entre eles era o maior e melhor presente que aquele e os próximos Natais podiam proporcionar. Tinham-se uns aos outros para criar um presente feliz.

Entre pausas, vagueavam silêncios incontroláveis que acolhiam as marcas de Inverno que trazem recordações de menino, ao esmiuçar as memórias calorosas trazidas à luz do dia. É o imaginário que recria a beleza do Natal e são as crianças que a (des)constroem.

Naquele abraço costumeiro expressara-se o que as palavras são incapazes de transmitir. A alma gritava incessantemente que o melhor do Natal pode ser reproduzido na infância trémula de estórias do ‘faz de conta’, onde tudo é possível, até mesmo o mítico senhor das barbas brancas!


12 março 2012

Literatura sem cordel











Acomode-se na estante o livro humano que se esgotou no tempo e, que com esse mesmo tempo multiplicado, se acabou por criar o hábito de o ignorar. É tal a estranheza que se cria em torno de um submundo que se apagou?! Mas num breve acto disse-se adeus. Foi rápido.
Lá se foram aquelas mensagens que emaranhavam palavras e vidas.
O surreal de cada existência não é mais que a realidade que atravessa cada um. Inventam-se amores, que nascem como flores primaveris na bagunça de pensamentos que adormecem e abruptamente irrompem, sem a vassalagem de um guarda-portão.
Apetecia-me tomar a liberdade de pedir uma mentira bonita para voltar a sonhar. Quanto atrevimento…
Mensageiros de paz. Vozes ocas e omnipresentes. Presenças transparentes e invisíveis.
Não tenho tido tempo para vós, admito. Como almejo conhecer-vos nas vossas palavras?!
A quem escrevem quando choram? Ainda se escrevem cartas de amor?
Se nascemos sozinhos, se vivemos sozinhos, o que conhecemos mais de perto é a sombra da solidão. Portanto, desate-se a berrar para dentro até se encontrar um eco disponível, em surto de impaciência… Afinal, no teatro do poder todos são formandos em artes cínicas. Esquecem-se indefinidamente que “palavra é igual a oração. Tem que ser inteira, se não perde a força”. [Fernanda Mello] E, nestas paixões, já não há tempo para amar em silêncio, nem gosto.
“Tropeço de ternura por ti.” Dizes em tom de vassalagem sobre o desejo que preenche o brilho do olhar… Como é que se rouba o brilho das estrelas e este se plasma nos teus olhos?
Puro enxovalho, em que me excluo de sentir, sentindo.
Que massacre. Sinto. Não sinto. Sinto, pois! Mas é um sentir de retaguarda (anulada). Silencioso. Em jeito de fuga austera!
Ai, esta névoa que me encerra os sentidos. Que propicia a intolerância de tudo quanto me desperta para a vida e que tenho que ocultar, sob a pena de sentir duas vezes. Não farei mais cálculos. Um conselho, nunca olhe para trás, sem antes virar o pescoço!

17 fevereiro 2012

Fragilidades do 'Agora'























É frágil a vida que me abarca. Corre a passos largos. Como um mar que avista a praia e se retrai nas ondas que depressa avançam e logo recuam, amedrontadas pela vaga de secura em que se podem transformar. Será assim que a água dos mares desaparece? Dever-se-á a essa claustrofobia da espuma que delimita em múltiplos contornos a areia salgada? Ou à singela evaporação por entre os grãos sedentos de sal?

A satisfação duns e a suspeição d’ outros. Os ingratos papéis das questões absolutas no seu esplendor.

É mais fácil perpetrar no balanço das ancas que escorrem o sexo desenfreado, que assumir a aurora.
“Somos atraídos para a escuridão, como as traças pelas chamas.” [Denise Hamilton] Num misto de fascínio e mistério, sem reações conclusivas. A noite sempre atraiu todos os sôfregos que se amam. É como se se alcançassem as estrelas e se possuísse a Via Láctea. É como se se equilibrassem arranha-céus em formas aleatórias. É não ter tempo para sorver a respiração alheia. É a paixão a expandir o seu próprio veneno em gotas que se evaporam no líquido encarnado que nos socorre. É estranhar o que de tão entranhado se apoderou do profano consciente. Qual droga potencia esta envolvência sem limites?

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” [Fernando Pessoa]

São estas fragilidades que autenticam que é tempo de abandonar a tendência de ver viver os outros. Viver é outra coisa.

Por mais séria que pareça a adversidade aguentar a dor é fortalecer. Desistir é adiar a questão. É necessária muita força. A que temos e a que nunca julgamos ter. É como se alguém alguma vez tivesse determinado que tudo iria acabar assim. E, dessa forma, ofendem-nos constrangedoramente. Sabem mais do que alguma vez soubemos.

Qual a porta de acesso a essa sabedoria?

A vida.

Promova-se, então, a vida em todas as suas esferas!

24 março 2008

One side of the story...


Chorei cada imagem que via…
E chorava compulsivamente…
Cada fragmento levava-me ao sufoco, à tortura de ver destruído o cenário do nosso amor…
Onde tantas vezes adormecemos embalados pelo som das ondas.
Era o teu ‘cantinho’…
E partilhava-lo comigo…
Vivemos o desejo…
Transpiramos o calor do nosso fogo…
Que ardia…
Fomos cúmplices do bater das ondas…
Que nos embalava na busca da entrega total àquele momento…
Gemíamos estridentemente e as nossas almas fundiam-se num só corpo…
Formara-se um eco na noite…
O eco do nosso amor…
A noite acompanha os amantes abrigando-nos…
Entregávamo-nos única e exclusivamente ao poder sobrenatural que nos unia…
Estávamos sob o capricho da paixão e do desejo…
A cada beijo que roubávamos um do outro.
Causa natural é o diagnóstico daquele avanço do mar…
Daquele óbito anunciado…
Os vários recantos onde tudo aconteceu…
Onde adormecemos…
Acordamos…
Amamos…
Nem as intempéries estão a meu favor.
Era exactamente ali…
E agora tudo ficou destruído…
O nosso ninho de amor está prestes a desaparecer…
Parece que não sobram réstias do nosso amor…
Todo o meu amor foi levado com fúria, a fúria da dissolução… de tudo.
Do amor que se fez,
Do amor que se teve e que se consumou na rebelião do calor de dois corpos mitigados de prazer… Gosto-te…
Hoje mais, amanhã mais e depois de amanhã ainda mais…
Aumentará sempre o meu sentimento por ti…
Perdi-te…eu sei…
Talvez um dia desses redescubra o amor noutros olhos e noutro sorriso…
(Aguardo que sejas Tu…)

04 fevereiro 2008

Deriva...


São lágrimas de ausência de paz.
Não mando em nada.
Nem em mim, nem na minha alma que vagueia…
Longe do meu querer…
Porque é que a tristeza me acompanha?
Sinto-a como uma sombra que não vai embora.
É uma dor corrosiva em que a melancolia trespassa os meus dias…
O meu viver…
Queria que os pontos de intercepção fossem mais claros.
Que a distância que não tenho entre os sentidos não me asfixiasse o pensamento.
Que a intensidade de acreditar fosse gradual aos meus desejos de ser...
O que vou sendo sem ser…