31 agosto 2014
23 julho 2014
Vivemos de Momentos completa 9 Aninhos!!
Apesar das palavras submergirem em
silêncios… Têm estado em clausura. Talvez não queiram mostrar um universo
incomum ou, provavelmente, mais comum do que se imagina. Transcrever a miserabilidade
a que os tempos obrigam é um estado de alma que me apetece negar em silêncio.
Parece a morte quando bate à porta. Não pede licença para entrar. Imagine-se,
então, quem já não tem porta…? Nem janelas…? Nem casulo…? Espera insanamente que o
seu processo entre num imediatismo transgénico… É de milagres que se (des)espera…
Aguarda-se a anunciação.
[Tudo isto para tentar dizer que já
lá vão 9 anos de palavras neste VIVEMOS DE MOMENTOS… e mais de 400 publicações!
Vou insistindo numa transcrição fiel do que vejo, mas o que tenho visto,
infelizmente não consigo colocar em eufemismos… É (sur)real demais… Estimem-se
uns aos outros por um mundo melhor… Talvez a paz e a suavidade nas palavras
regressem...]
25 junho 2014
Luz...
E a
morte não me mata mais, tantas que são as lembranças.
E o
medo está cada vez mais inseguro diante de mim.
"Antes morrer livres do que em
paz sujeitos"…
Toda a minha alma se contorce numa
dança embalada desta terna melodia de palavras... E eis que o seu final
espaçado e vagaroso a (re)pousa num recanto deste coração sedento de bem-querer…
Talvez a lua desacordada tenha
intenção de desaparecer na noite rapidamente…
Nem ela suporta a intensidade das
energias que me esvaziam a luz do olhar.
Talvez o sol se esqueça de brilhar, porque
o seu calor já não me devolve vida…
E se o alento sustento, vem da
profundidade que me trespassa o sentir…
28 maio 2014
Jorro d' Almas
Entrego-me a ti, meu desejo em fonte.
Em corpo de guitarra adormecida
Em água jorrada da alma.
Serenata oculta de música erudita,
Silêncios invertidos
Em pausas meticulosas.
Procrastinação.
Já não se soltam os versos…
Os verbos perderam os seus tempos correctos.
Canduras doutros tempos.
Rumo dos outros retorquido.
Meu não atendido.
Obstinação.
O lado de fora é o mais visível
O de dentro intangível.
Para quem passa…
Escolha de múltiplo vértice,
Templo cúmplice, encoberto,
Dessa força, dessa raça...
Emancipação.
04 maio 2014
Este dia não voa mais…
Era uma vez, uma pomba que jazia na pedra que coabita com a brisa do mar e a areia que a si se estende.
O
pôr-do-sol seduziu-me a avistar o oceano de perto… No epicurista convite, deparei-me
com o ritual que trazia e levava ondas em total desapego…
Sentei-me
e fiz-lhe companhia, mas será que estaria eu a receber a companhia da silenciosa
morte? Pensava eu que estaria a ser inconveniente… Inoportuna, talvez… Foram
tantos os que se aproximaram junto daquele exemplar, que se a curiosidade
existe, acredito que possa ser a solidariedade com aquela alma, o fio condutor…
Já eu, permaneci!
Novos,
velhos, ninguém lhe ficou indiferente… Nos que se aproximaram… Uns acharam que
ela estava ali sossegada a meu lado, outros ficaram desiludidos pela sua quietude
funesta.
Houve
um senhor que há algum tempo observava, sentado, as movimentações e ‘peregrinações’
à pomba… Acabou por vir até ela, constatou a pior hipótese de perto. Comentou comigo,
como aquela ave ficou ali tão sossegada. Ao longe parecia viva pela forma como
estava aninhada. Achou curioso, como o macho lhe fez a corte e esteve em cima
dela, em diversas investidas – Qual abutre da espécie…? Qual macho bravo
primitivo? – Contemplou as anilhas que a levariam ao seu pombal… Ter-se-ia perdido
dos seus? Estaria em competição?
Disse-me
boa tarde e afastou-se…
Logo de
seguida um ‘canito’ latia junto do seu dono, que suavemente examinava a pomba. Foi
aí que vi que estava magoada junto a uma pata… Pousou-a, deixando-a à sua sorte…
Da brisa
veio o vento norte furioso, que me expulsou da vigília involuntária.
Não
cheguei a ver o sol a pôr-se. Aqui, nem o santo patrono das causas desesperadas
e, ou perdidas interveio… Há momentos assim: “- fatais como o destino!” Como a
minha mãe costuma dizer!
Amanhã
será outro dia. Este, já não voa mais.
30 abril 2014
Outros voos...
Assim como dos trapos se fizeram bonecas...
Do casulo sai e voa a borboleta...
Tem-se que penar muito para ser-se: Ser humano...
19 março 2014
SON(H)O
É impossível que as palavras acompanhem esse amor.
Nesse arco-íris transposto em meia-lua,
Que a noite trouxe em pedaço de luz,
Sob um silêncio obstinado.
É o rouco fado da escuridão que atravessa as ruas,
Que as palavras não encobrem, diante dos dedilhados de
uma guitarra lusa, a um passo de ti de distância.
Somos duas metades que se alcançam,
Duas metades que se bastam, numa imensidão de palavras
que se acusam, se calam, sobrevivendo em nós.
Trouxe-te para nós,
no fogo ardente em presença e sombra que gela em
ausência…
Num mar alto que descomedido avança…
Somos quimera que chora,
Amor-perfeito que floresce…
Aquela hora… nunca se esquece!
A melancolia tem vidas.
A vida tem incertezas.
Privações movidas de tristeza.
Sinto cada vez mais a falta da noite,
Apenas ela me leva a ti, num vagaroso son(h)o…
Daqueles… Felizes!
Os Judeus dizem: Bendito é Deus que muda as horas!
Malditos ‘agoras’!
Infelizes…12 fevereiro 2014
Saudade
Como esquecer
a saudade,
que se
entrelaça com o esvaziar da luz do luar?
Essa mesma
que amanhece em mim todos os dias,
querendo
apenas me tomar…
A distância
nunca foi tão próxima…
A dor
nunca se fez tão célere…
Escurece
a tua sombra em mim…
Anoitece
a fúria da revolta…
Essa dor
que permanece…
…que vai,
mas que volta…
Os meus
sonhos só me (des)compensam (d)as noites frias,
em que
adormeço para na tua ausência te encontrar…
É nessa
anestesia de amor,
que te
cubro e descubro…
É nessa
afasia de cor,
que te
idealizar é tão somente amor… amor…
O teu
perfume, o teu retrato…
Estão
no quarto de lua que me resiste,
Tecida
a saudade…
Olha a
lua desse lado,
Que em pranto
recado persiste…
Sem termo,
sem idade…02 fevereiro 2014
Instinto de Sobrevivência
A memória é assim veloz e transitória, enquanto instinto de sobrevivência…
Queria desligar da corrente… Ou, em última instância,
libertar-me das correntes que me aprisionam a alma e que não me deixam viver
livremente, que é como quem diz, inconscientemente…
Nos arcos da vida, que todos sejam de “triunfo”, já
que o arco-íris é efémero demais para ser um caminho a seguir…
O brilho das cores deste fenómeno natural triunfam em
arte pura, mas são impossíveis de tocar, alcançar… Os seus extremos vagueiam imediatos e perdidos. Eu também…
Inverno
O vento encarregou-se de me fechar a
porta do carro...
É só mais uma que se fecha...
Mas a fechar-se, estava mais um
dia...
Chovia... Arrefecia... Escurecia...
O mar que me via... Ouvia-se no seu
desassossego...
As intempéries destroem, mas adormecem...
19 janeiro 2014
Complexidades
Traduzo gestos
que observo.
Sem análise,
com intuição.
Um dia este
servo…
Não terá mais
que pedir compaixão.
As teimosias
despertas,
Vivas, de tanta
encruzilhada volvida…
Foram portas
abertas,
Quantas vezes
despedidas…
Deste-me vida…
Deste-me alma…
Cobriste os
meus sonhos de realidade…
Apenas esqueci
de dizer que quero sempre mais…
Busco o que me
quer acolher.
Vivo do
imediato, sem perseverança.
Entrego-me às
resistências que teimam em aparecer.
A vida é
esperança…
Respirar é (sobre)viver,
Tudo aquilo
que o meu ser alcança…
Ou se vive ou se deixa morrer.25 dezembro 2013
Festas Felizes!!
As maneiras de dizer adeus, não existem. Acontecem espontaneamente. Neste Natal, todos aquelas folhas caídas de árvore genealógica e as flores que fizeram questão de nascer connosco e que cedo partiram, que sejam luz, alegria e esperança... Foram Vidas de perene aprendizagem. Caminhos que só cada um de nós pode percorrer. Palavras que apenas nós reconhecemos. Lágrimas e gargalhadas que juntos trocamos em cumplicidade e reciprocidade. A finitude traz a saudade. O amor ficará sempre alojado no coração. [Texto: ELF]
12 novembro 2013
Despedida. Até à Próxima...
E peço ao silêncio para me tomar.
Domando a infinita fúria indomável que me toma. Sim. Desculpa não conseguir consenso
na amplitude do eufemismo. Tenho que admitir que nesse trecho, a minha
ignorância é tremendamente atrevida.
E a voz calou-se. E o tempo parou. E a
vida não quer apressar-se.
As palavras cobriram-se de nuvens e
já não há lágrimas que calem o silêncio da tua ausência. Apenas o calor no coração afasta algum desse caos...
Obrigo-me a calar o amor que sinto
por ti.
Flutua a inabilidade de enxugar as lágrimas que caem involuntariamente.
É esse mesmo aconchego que me abraça o rosto.
Já percebi que na minha estória, os relógios contam o
silêncio e amarram-me o tempo.
Tanto que te compus em sonhos que me apareceste em
formas que me habituei a estimar e honrar.
“A juventude é mesmo isso, um lugar onde o futuro é
maravilhosamente totalitário”, escrevera Luís Osório.
A paz que me transmites envolve todos os encantos do universo
e mais algum… Estou certa que me trarás mais uma revelação...
A minha infelicidade deve ser planeada ao pormenor
pelos deuses, que em vez de loucos, me enlouquecem.
Magoa-me fraquejar ou ser fraca mesmo. O osso e a
carne que me erguem nunca alcançarão a âncora que deveria ser.
Quero voar contigo. Assim como seguimos caminhos
diferentes uma vez, o ‘destino’ voltou a encontrar-nos. Essas asas que voam
para longe só nos sufocam, porque a distância é estéril, impessoal…
Aguardo impaciente pelo dia em que consigamos parar novamente
o ponteiro dos segundos, olharmo-nos e prometer a irrelevância das palavras. Parafraseando
o Luís, o amor necessita apenas do reconhecimento do olhar. Sabemo-lo bem. “Obrigada
pelo tanto Futuro que me deste.” - Escreveu ele também.
Vou acatar a tua demora com um único desejo, que o
regresso revigore esta saudade até à próxima despedida.
Texto e Foto: ELF
05 outubro 2013
Deixar para trás!
Procurei o tempo mais célere, mas a velocidade deteve-me.
Coloquei as
asas no vento, mas a rosa-dos-ventos nem sequer se moveu.
Construí
pontes de braços que se uniram, mas as vozes enfraqueceram…
A luz ficou
obstruída pela água que cai desalmadamente.
"Não se pode criar experiência, é preciso passar por ela"
(Albert Gamus)
Mais ou menos encorpada? Quase como se de um lugar privilegiado se
tratasse: “Prefere um lugar à janela ou no corredor"?
Invisível da rua, o lugar pode ficar à descoberta….
“A Vida deveria
ter uma linha de apoio ao cliente.” Gratuita, de preferência!
Este “atelier” ensina-nos a pôr em palavras o que apenas guardamos na
nossa arca de memórias ou que nunca ousáramos dizer. Sentindo-nos obrigados a
calar e escutar, fazendo das palavras dos outros as nossas frases.
Avisto um terraço acolhedor, local onde digerir o fim de mais um dia seria
o mais generoso que me poderia acontecer. E
fico ali. Somente ali. Opto por desligar das vozes e sons e passo a meditar,
mergulhando numa noite em que o sonho se manifeste real e onde as estrelas
cadentes dancem no meu olhar… Iluminado pelo brilho da lua e enfeitiçado pelas
ondas que vão e vêm sem precisão…
Refeita, o último a sair que apague a geometria obtusa de tudo o que
pude deixar para trás.
TEXTO: ELF
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